Posts tagged ‘diet’

O sódio que você não vê…

Reduzir a quantidade de sal utilizada na cozinha já é de conhecimento de muita gente para prevenir a hipertensão (pressão alta). Mas o verdadeiro culpado não é o sal, é o sódio. A recomendação de sódio pela OMS é de 5 g diários. No sal de cozinha, cada grama de sal possui 400 mg de sódio e a recomendação é que não se utilize mais que 2g de sal por dia (2 sachês daqueles disponíveis nos restaurantes).  O problema é que a população brasileira utiliza o dobro desta quantidade e, além disso, ainda consome produtos industrializados cada vez mais (dados confirmados na última POF).

O sal é utilizado como conservante dos alimentos, assim a indústria o utiliza em excesso, o que contribui para aumentar ainda mais o risco de hipertensão. Mas a indústria utiliza outros aditivos que possuem sódio. Assim, é muito importante ficar atento às informações de ingredientes e à tabela nutricional destes alimentos, pois muitas vezes a informação voltada para o marketing do produto pode enganar o consumidor.

Já me deparei com um alimento industrializado que dizia “ZERO SAL” no rótulo, fiquei curiosa, porque era um produto que o sal é praticamente “obrigatório” entre os ingredientes. Assim, fui olhar a lista de ingredientes e, realmente, não havia sal, mas havia glutamato monossódico. Este aditivo é utilizado amplamente pela indústria para realçar o sabor dos alimentos e que, como o nome diz “sódico”, é derivado de sódio!  Zero sal sim, mas zero sódio? Passa longe disso!

Então, cuidado! Muitos industrializados utilizam o sal mais o glutamato monossódico, ou seja, sódio em dobro! Outros ingredientes que contém sódio (mas não aparecem com nome de sal) e também são bastante utilizados pela indústria: bicarbonato de sódio, ciclamato de sódio (principalmente produtos diet/ light/zero açúcar) e cloreto de sódio.

Produtos industrializados que contém grande quantidade de sódio são os caldos (de legumes, de galinha, de carne, etc).  Particularmente, acho a recomendação de uso dos fabricantes “bem salgadinha” e minha dica é: procure pelo caldo em pó, e coloque apenas um pouquinho daquele saquinho (pouquinho mesmo, menos da metade! Faço, pelo menos, umas 5 preparações com um saquinho só). Além disso, adicione outras ervas como manjericão, orégano, alecrim para dar sabor à sua comida e procure utilizar o alho na sua forma natural, fuja daqueles potinhos prontos, mesmo a versão sem sal costuma utilizar um conservante a base de sódio.

Outro ponto importante: o sódio não é encontrado apenas nos produtos salgados. Pó para gelatina, misturas para bolos prontos, sucos em pó, tortas doces congeladas, todos tem sódio.

Desta forma, se quer prevenir a Hipertensão, não basta diminuir o sal que você utiliza, mas tem que prestar (muita) atenção aos rótulos dos produtos industrializados.

A saber…

Hipertensão, ou pressão alta, é o aumento da pressão sanguínea. É uma doença silenciosa e muitos não sabem que a possuem ou não sabem dos problemas maiores que ela pode causar, levando à falta de tratamento e piora da saúde.  Algumas consequências do aumento da pressão arterial são: maior risco de acidente vascular encefálico, alteração no funcionamento dos rins (insuficiência renal) e insuficiência cardíaca. Entre os fatores de risco estão, além da predisposição genética, a obesidade e a ingestão de sódio.

Assim, estar no peso ideal e diminuir o consumo de sódio podem evitar que este problema faça parte de sua vida, mesmo que exista a genética da família!

Para saber mais:

VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão

*Texto de autoria própria. Caso o reproduza por completo ou em partes coloque os créditos e me informe.

Leia também: A ilusão do “Zero” ; Entendendo o rótulo dos alimentos

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26/04/2012 at 1:23 pm Deixe um comentário

E até o feirante virou Nutricionista

O ditado costuma dizer “de médico e louco todo mundo tem um pouco”…. e eu digo que de Nutrição todo mundo acha que entende muito. Hoje ouvi até o feirante falando que era quase um Nutricionista ao tentar vender suas verduras, só porque ele sabe que as verduras têm vitaminas…. em contrapartida, também assisti 3 matérias na TV que me preocuparam.

É incrível como a alimentação tem sido tema recorrente em todos os horários e canais na TV. A todo momento fala-se de uma fruta, uma nova dieta, uma nova pesquisa sobre os benefícios de um alimento, etc. Enfim, Nutrição nunca esteve tão na moda!

O preocupante é que muitas vezes essa “avalanche” de informações é transmitida de maneira incompleta, ou consultam profissionais despreparados para falar sobre o assunto ou, até mesmo, a pessoa que assiste se prende apenas ao “faz bem”, “não engorda”, “poucas calorias”, palavras de uso comum nessas matérias.

As matérias que assisti hoje falavam sobre antioxidantes, chocolates e glúten. O que me chamou a atenção foram as entrevistas nas ruas, mostrando que de Nutrição as pessoas estão é bem carentes de informação! Na dos antioxidantes, algumas não faziam a menor ideia do que eram. Mas a de chocolates e glúten, essas foram as que me preocuparam…

Muitos entrevistados já sabiam que o chocolate “faz bem”, mas não sabiam em quais quantidades, bem demonstrada na pergunta “chocolate Diet pode ser consumido à vontade?”. É assim que as informações são transmitidas, infelizmente as pessoas aprendem que “faz bem”, mas acham (erroneamente) que isso é sinônimo de “oba, posso comer o quanto quiser!”, acreditam que “diet” é sinônimo de “não engorda” e por aí vai…

O glúten tem sofrido restrições até com as pessoas que não são celíacas, pois alguns famosos andaram retirando ele da dieta em busca de quilos a menos na balança. O “contém glúten” ou “não contém glúten” está em todas as embalagens de alimentos, porém, após a matéria que assisti, acredito que apenas aqueles que são celíacos ou conhecem algum celíaco realmente sabe o que essa informação significa e o porquê dela estar ali na embalagem. Parece que o que fica para os leigos é que glúten deve ser  algum tipo de “veneno” colocado nos alimentos.

Nutrição “está na moda” porque cada vez mais tem sido associada à boa saúde e por isso que me preocupa essa carência de informação.

Colegas Nutricionistas, temos muito trabalho pela frente! Precisamos informar os conceitos, ter cautela no uso de termos como “poucas calorias”, “faz bem”, “ajuda a emagrecer”, “não consumir”, deixar claro quando restrições a determinados nutrientes são necessárias, etc. Também precisamos cobrar da mídia que tenham mais cuidado na hora de editar as matérias, pois também é nesse momento que a informação essencial muitas vezes é deixada de lado, pois quem edita não estudou Nutrição. E precisamos, sobretudo, ter consciência da grande responsabilidade que temos como comunicadores e, por que não, como educadores!

Em tempo…

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, malte e centeio, assim como nos produtos que sejam derivados destes cereais. 

A doença celíaca se caracteriza pela intolerância ao glúten, onde o organismo produz anticorpos contra ele, o que leva à destruição das vilosidades do intestino e prejudica a absorção dos nutrientes. O tratamento é a retirada total do glúten, ou seja, de todos os produtos que sejam derivados de trigo, aveia, cevada, malte e centeio. Por isso que os rótulos dos alimentos possuem esta informação, obrigatória por lei.

As pessoas que não possuem intolerância ao glúten podem consumi-lo normalmente. A retirada do glúten da dieta sem necessidade foi motivo de debate no CRN3, que emitiu parecer contra a prática da retirada do glúten indiscriminadamente.

Para saber mais sobre a doença celíaca, acesse o site da Federação Nacional das Associações de Celíacos no Brasil (FENACELBRA). 

E também há esse artigo, no blog da nutricionista Emanuelle Salustiano, que explica um pouco sobre Sensibilidade ao Glúten. Recomendo!

*Texto de autoria própria. Caso o reproduza por completo ou em partes coloque os créditos e me informe.

Leia também: “Vendo empadas no bar”

23/03/2012 at 4:37 pm 4 comentários


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