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Melhorando as escolhas na hora de hidratar-se

Altas temperaturas e tempo seco, é o clima que temos vivido nos últimos dias em São Paulo. Um clima que requer cuidados extras com a hidratação, onde as pessoas tendem a consumir mais líquidos. Mas todo cuidado é pouco, é preciso fazer boas escolhas para se refrescar.

O alto consumo de refrigerantes já foi associado com maior risco de desenvolver Síndrome Metabólica¹. Mesmo os refrigerantes livres de açúcar na composição representam riscos à saúde pois possuem uma quantidade elevada de sódio cujo consumo acima das recomendações pode levar à hipertensão. Além disso, grande parte das bebidas zero caloria apresentam em sua composição adoçantes, principalmente o ciclamato de sódio que pode causar diarreia se ingerido em altas doses.

Outra bebida muito procurada, devido à facilidade de preparo, são os refrescos em pó. É importante ler os rótulos desses produtos, pois de todo aquele pó, somente 1% é fruta, o restante são apenas substâncias químicas, entre elas diversos corantes artificiais que propiciam o desenvolvimento de alergia. Engana-se também quem acredita que os sucos industrializados, aqueles comercializados em caixinhas, seja melhor que os refrescos em pó, eles também são ricos em açúcar, lendo no rótulo a maioria apresentará o açúcar como primeiro ou segundo ingrediente².

Ainda existe uma opção preferida por grande parcela da população adulta: a cerveja. Sim, existem estudos que mostram alguns benefícios, porém não se pode esquecer que é uma bebida alcoólica e, como qualquer outra, deve ser consumida com moderação. O álcool em excesso pode levar à diversas doenças, como a hepatite alcoólica (taxa de mortalidade de 30 a 60%) e a cirrose (taxa de sobrevivência de 35 a 50% em até 5 anos de diagnóstico). É importante lembrar também que 1g de álcool possui 7 calorias. Fazendo as contas com 1 lata de cerveja de 350 ml, teor alcoólico de 5%, temos 17g de álcool, ou seja, 119 kcal!

Então, quais as melhores opções?

– A água, mesmo que você escolha outros líquidos durante o dia, é indispensável;

Sucos de fruta natural (ou polpa), batidos na hora (quanto mais tempo demorar para tomá-lo, maior a perda de vitaminas e antioxidantes), e preferencialmente sem açúcar;

Frutas como a melancia e o melão são ricas em água e ajudam a hidratar, além de contribuir com o consumo de fibras;

– A água de coco é ótima opção, principalmente recuperar os sais minerais perdidos durante a atividade física;

Chás/ infusões gelados³, excluindo aqueles industrializados que são adicionados de açúcar ou adoçante, são rápidos de fazer e alguns possuem efeitos antioxidantes. Um chá mate gelado batido com limão ou com hortelã é uma opção bem refrescante para um dia quente. E novamente, evite adoçá-lo!

Água aromatizada: você pode acrescentar sabor à sua água colocando um pedacinho de gengibre, ou casca de maçã, ou casca de laranja. Use a criatividade!

¹ Síndrome Metabólica se caracteriza por um conjunto de 3 ou mais fatores: circunferência abdominal > 88 cm nas mulheres e >102 cm nos homens; triglicérides >=150mg/dL; HDL colesterol <50 mg/dL nas mulheres e <40 mg/dl nos homens; pressão arterial >=130mmHg ou .=85 mmHg.

² A legislação brasileira de rotulagem exige que os ingredientes sejam listados em ordem decrescente, ou seja, os que estão em maior quantidade no alimento devem aparecer primeiro.

³ A definição “chá” é utilizada somente para as infusões originadas da Camellia Sinensis (chá verde, preto, vermelho, branco, oolongs), os demais são denominados infusões.

Referências consultadas:

• Dhingra R, Sullivan L, Jacques PF, Wang TJ, Fox CS, Meigs JB, et al. Soft drink consumption and risk of developing cardiometabolic risk factors and the metabolic syndrome in middle-aged adults in the community.Circulation. 2007;116(5): 480-8

• Silva, et al. Atividade antioxidante dos principais chás consumidos na cidade de Natal-RN. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. = J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 33, n. 3, p. 61-70, dez. 2008

• Ferrari, C C; Soares, Lucia Maria Valente. Concentrações de sódio em bebidas carbonatadas nacionais. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, v. 23, n. 3, Dec. 2003.

• Polonio, M L T; Peres, F. Consumo de aditivos alimentares e efeitos à saúde: desafios para a saúde pública brasileira. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 8, Aug. 2009 .

• Arruda, J G F; Martins, A T; Azoubel, R. Ciclamato de sódio e rim fetal. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., Recife, v. 3, n. 2, June 2003 .

• Mazza, RPJ. Pereira, C C A. WAITZBERG, D L. Doenças Hepáticas in: CUPPARI, L. Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto, 2ª ed. Barueri: Manole, 2005.

*Texto de autoria própria. Caso reproduza completo ou em partes coloque os créditos e me informe.

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05/03/2012 at 6:16 pm 1 comentário


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