Posts tagged ‘antioxidantes’

Não esqueça o feijão!

A última POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) verificou uma queda no consumo de arroz e feijão pelos brasileiros, de 1975 a 2009, houve uma queda de 49% no consumo do feijão. A queda é mais evidente nas famílias de renda mais alta.

Apesar de ser famoso pela quantidade de ferro, o feijão oferece muito mais nutrientes ao organismo. E, ao contrário do que muitos pensam, o feijão não fornece tantas calorias: 100g dele cozido (sem temperos) fornecem apenas 33 kcal. Além disso, quando consumido junto com o arroz, fornecem aminoácidos essenciais ao organismo e se complementam: os grãos de arroz contem metionina, e os feijões, lisina.

Quer mais alguns motivos para consumir o feijão?

– Uma pesquisa com dados do National Health and Examination Survey (NHANES) 1999-2002, verificou que as pessoas que consumiam feijões, apresentavam maior ingestão de fibras, potássio, magnésio e cobre, menor peso e circunferência abdominal;

– O feijão contém fatores antinutricionais, ácido fítico e taninos, substâncias que formam complexos com os nutrientes e impedem nosso organismo de absorvê-los. Porém, o processo de cozimento reduz esses fatores, permitindo o acesso aos nutrientes. Além disso, o ácido fítico, em pequenas quantidades traz um efeito benéfico por atuar como antioxidante;

– O feijão fornece dois tipos de fibras ao organismo, solúvel e insolúvel, sendo mais rico na primeira. As fibras solúveis, depois de ingeridas, se transformam em gel, permanecendo mais tempo no estômago, o que leva à maior sensação de saciedade. O gel também atrai moléculas de gordura e de açúcar, reduzindo a absorção dos mesmos, contribuindo para a manter a glicemia e o colesterol em níveis adequados.

 Dicas:

Consuma os grãos e o caldo do feijão para aproveitar melhor os nutrientes, pois o caldo concentra até 73% dos minerais;

– A proporção recomendada de arroz e feijão é: 2 porções de arroz para 1 porção de feijão;

– Todos os feijões fornecem os benefícios citados., assim você pode apostar na variação do grão (e da preparação) para não enjoar. O feijão branco, por exemplo, fica ótimo como salada, temperado com cebola, alho, tomate, azeite extra virgem e orégano.

Referências consultadas

• Tabela de Composição da USDA.

• POF 2008/09 – IBGE.

• PAPANIKOLAU, Y.; FULGONI, V. Bean Consumption Is Associated with Greater Nutrient Intake, Reduced Systolic Blood Pressure, Lower Body Weight, and a Smaller Waist Circumference in Adults: Results from the National Health and Nutrition Examination Survey 1999-2002. Journal of the American College of Nutrition, Vol. 27, No. 5, 569–576 (2008)

• RAMIREZ-CARDENASI, Lucía; LEONEL, Alda Jusceline; COSTA, Neuza Maria Brunoro. Efeito do processamentodoméstico sobre o teor de nutrientes e de fatores antinutricionais de diferentes cultivares de feijão comum. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, v. 28, n. 1, Mar. 2008 .

*Texto de autoria própria. Caso o reproduza por completo ou em partes coloque os créditos e me informe.
Leia também: Sobre o azeite, suas 117 calorias e mais…
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02/04/2012 at 3:12 pm Deixe um comentário

Novo estudo com o chocolate

A Páscoa está chegando e parece o momento apropriado para divulgar estudos com o chocolate. Hoje saiu mais uma notícia sobre os seus benefícios.

Os antoxidantes e benefícios promovidos pelo chocolate vem de sua matéria-prima: o cacau.  Ressalto que os estudos são realizados com os chocolates que possuem maior quantidade deste fruto (meio amargo, 70% cacau, 80% cacau, etc), porém, no Brasil, a maioria da população consome o chocolate “ao leite”, que possui maior quantidade de gordura e açúcar do que de cacau na composição. Vale lembrar também que  os estudos não incluem os bombons recheados e nem o chocolate branco.

Assim, é importante escolher os chocolates com maior teor de cacau: meio amargo, amargo, 70%, 80% ou 90% de cacau. Não se esqueça que mesmo esses chocolates possuem açúcar e gordura e, como a própria notícia coloca: o consumo deve ser moderado, ou seja, um bombom de 15g  já é suficiente.

27/03/2012 at 4:05 pm 2 comentários

Sobre o azeite, suas 117 calorias e mais….

Eu sei que já se falou muito sobre o azeite e que ele, constantemente, é recomendado. Esse post é só para lembrar que não são apenas as 117 calorias que importam, por isso serei breve…

Existem três tipos de gorduras: as saturadas, insaturadas e a trans. As saturadas estão relacionadas às doenças do coração, aumento de colesterol, entre outras doenças, e são encontradas em alimentos de origem animal (carne, ovos, leite, etc). Já as insaturadas possuem efeito protetor e são as encontradas nos óleos vegetais e sementes oleaginosas (nozes, castanhas, amendoim).  A gordura trans é originada a partir da hidrogenação de óleos vegetais, um processo que passa os óleos de sua forma líquida para uma consistência mais cremosa, de acordo com a necessidade de uso na indústria de alimentos.

As gorduras insaturadas são divididas em poli-insaturadas e monoinsaturadas, devido à característica química. O azeite é a maior fonte de gorduras deste tipo.

Além das gorduras monoinsaturadas, o que faz o azeite ser tão benéfico é a alta presença de antioxidantes (compostos fenólicos). Assim, esse conjunto de nutrientes presentes no azeite ajuda na prevenção de doenças do coração, do câncer e no combate a processos inflamatórios no organismo. No entanto, como todo óleo, o azeite fornece 9 kcal em cada grama consumido e, por isso, pode contribuir para o ganho de peso se usado em excesso.

Portanto, para se beneficiar deste óleo, é importante ressaltar:

– os benefícios são obtidos com o azeite do tipo extravirgem, que mantém todos os compostos antioxidantes;

– o aquecimento do azeite faz com que ele perca parte de seu poder antioxidante, desta forma, é melhor utilizá-lo frio, em saladas, por exemplo;

apenas 1 colher de sopa é suficiente, não precisa exagerar;

Portanto, não se deve ficar preso somente ao valor calórico, mas lembrar que  o alimento é constituído de um conjunto de nutrientes, e que cada um deles atua de forma diferente no organismo. Ou seja, uma porção de maionese pode até ter menos calorias, porém não oferece tantos benefícios e antioxidantes quanto o azeite extravirgem. Não sou contra o uso da maionese (com moderação), mas não substitua o azeite por ela, afinal “a comparação refere-se exclusivamente às calorias, não considerando benefícios cardiovasculares”. 

*Texto de autoria própria. Caso o reproduza por completo ou em partes coloque os créditos e me informe.

26/03/2012 at 7:06 pm 2 comentários

E até o feirante virou Nutricionista

O ditado costuma dizer “de médico e louco todo mundo tem um pouco”…. e eu digo que de Nutrição todo mundo acha que entende muito. Hoje ouvi até o feirante falando que era quase um Nutricionista ao tentar vender suas verduras, só porque ele sabe que as verduras têm vitaminas…. em contrapartida, também assisti 3 matérias na TV que me preocuparam.

É incrível como a alimentação tem sido tema recorrente em todos os horários e canais na TV. A todo momento fala-se de uma fruta, uma nova dieta, uma nova pesquisa sobre os benefícios de um alimento, etc. Enfim, Nutrição nunca esteve tão na moda!

O preocupante é que muitas vezes essa “avalanche” de informações é transmitida de maneira incompleta, ou consultam profissionais despreparados para falar sobre o assunto ou, até mesmo, a pessoa que assiste se prende apenas ao “faz bem”, “não engorda”, “poucas calorias”, palavras de uso comum nessas matérias.

As matérias que assisti hoje falavam sobre antioxidantes, chocolates e glúten. O que me chamou a atenção foram as entrevistas nas ruas, mostrando que de Nutrição as pessoas estão é bem carentes de informação! Na dos antioxidantes, algumas não faziam a menor ideia do que eram. Mas a de chocolates e glúten, essas foram as que me preocuparam…

Muitos entrevistados já sabiam que o chocolate “faz bem”, mas não sabiam em quais quantidades, bem demonstrada na pergunta “chocolate Diet pode ser consumido à vontade?”. É assim que as informações são transmitidas, infelizmente as pessoas aprendem que “faz bem”, mas acham (erroneamente) que isso é sinônimo de “oba, posso comer o quanto quiser!”, acreditam que “diet” é sinônimo de “não engorda” e por aí vai…

O glúten tem sofrido restrições até com as pessoas que não são celíacas, pois alguns famosos andaram retirando ele da dieta em busca de quilos a menos na balança. O “contém glúten” ou “não contém glúten” está em todas as embalagens de alimentos, porém, após a matéria que assisti, acredito que apenas aqueles que são celíacos ou conhecem algum celíaco realmente sabe o que essa informação significa e o porquê dela estar ali na embalagem. Parece que o que fica para os leigos é que glúten deve ser  algum tipo de “veneno” colocado nos alimentos.

Nutrição “está na moda” porque cada vez mais tem sido associada à boa saúde e por isso que me preocupa essa carência de informação.

Colegas Nutricionistas, temos muito trabalho pela frente! Precisamos informar os conceitos, ter cautela no uso de termos como “poucas calorias”, “faz bem”, “ajuda a emagrecer”, “não consumir”, deixar claro quando restrições a determinados nutrientes são necessárias, etc. Também precisamos cobrar da mídia que tenham mais cuidado na hora de editar as matérias, pois também é nesse momento que a informação essencial muitas vezes é deixada de lado, pois quem edita não estudou Nutrição. E precisamos, sobretudo, ter consciência da grande responsabilidade que temos como comunicadores e, por que não, como educadores!

Em tempo…

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, malte e centeio, assim como nos produtos que sejam derivados destes cereais. 

A doença celíaca se caracteriza pela intolerância ao glúten, onde o organismo produz anticorpos contra ele, o que leva à destruição das vilosidades do intestino e prejudica a absorção dos nutrientes. O tratamento é a retirada total do glúten, ou seja, de todos os produtos que sejam derivados de trigo, aveia, cevada, malte e centeio. Por isso que os rótulos dos alimentos possuem esta informação, obrigatória por lei.

As pessoas que não possuem intolerância ao glúten podem consumi-lo normalmente. A retirada do glúten da dieta sem necessidade foi motivo de debate no CRN3, que emitiu parecer contra a prática da retirada do glúten indiscriminadamente.

Para saber mais sobre a doença celíaca, acesse o site da Federação Nacional das Associações de Celíacos no Brasil (FENACELBRA). 

E também há esse artigo, no blog da nutricionista Emanuelle Salustiano, que explica um pouco sobre Sensibilidade ao Glúten. Recomendo!

*Texto de autoria própria. Caso o reproduza por completo ou em partes coloque os créditos e me informe.

Leia também: “Vendo empadas no bar”

23/03/2012 at 4:37 pm 4 comentários


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