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A mídia e o possível prejuízo à saúde

medico

Ontem vi uma matéria na TV e pensei o quanto as informações que os canais de comunicação podem acabar prejudicando a saúde, ao invés de ajudar (que seria a intenção inicial).

Falava-se sobre os mitos de alguns alimentos, se era mito ou verdade sobre os benefícios e malefícios de alguns.  Vou me concentrar em apenas um dos alimentos abordados para chegar ao objetivo deste texto. O mito era sobre o ovo fazer mal, quando abordado, citou-se um estudo de Harvard no qual o consumo de 20 ovos por dia não tinha mostrado “nenhum problema” e que, assim, quem gosta de ovo “pode comer a vontade”, que “não tem limites de ovos por dia”. Fico imaginando como as pessoas que assistiram receberam esta informação e que mudanças e consequências isto pode trazer.

Para ilustrar, vamos fazer alguns cálculos em relação aos “20 ovos por dia”. O ovo é um alimento de origem animal, portanto, fonte de proteínas (entre outros nutrientes, mas vou focar apenas nas proteínas para resumir onde quero chegar).  A recomendação de proteínas para um indivíduo adulto saudável é de 0,8 g de proteínas por kg de peso. Exemplo: para uma pessoa que pesa 50 kg, o ideal do consumo diário de proteínas é 40g.  Em 100 g de ovo (equivalente a 2 unidades), temos 13g de proteínas (TACO).  Desta forma, em 20 ovos, temos o equivalente a 130g de proteínas. Se aquela pessoa de 50kg consumir 20 ovos, ela estará consumindo 90 g de proteínas acima do recomendado (isso se considerarmos que ela irá consumir somente ovos o dia todo).

Agora, vamos pensar que nosso organismo trabalha o tempo todo para manter-se em equilíbrio, o que denominamos homeostase. O excesso de proteínas significa um desequilíbrio na homeostase e o organismo terá que trabalhar muito mais para conseguir lidar com esse excedente de proteínas e manter a homeostase. Resumindo: comer quantos ovos quiser pode prejudicar a saúde sim! (e olha que só falei das proteínas).

E por que falei tudo isso? O que tem a ver com meus questionamentos iniciais? Foi apenas uma maneira de ilustrar o quanto poder ser perigoso à saúde quando as informações transmitidas pela mídia não são filtradas/ aprofundadas. Assim, a minha mensagem é: cuidado com as informações que se lê, que se ouve e que são mostradas na TV. Tenha senso crítico, não acredite em tudo como verdade absoluta, mesmo que esta informação venha de Harvard ou de um profissional de saúde super conceituado. Lembre-se que os canais de comunicação possuem espaço/tempo limitados, passam por edições/revisões de outros profissionais que não são especialistas naquele assunto e, assim, as informações podem acabar sendo transmitidas de forma diferente da qual gostaríamos.

Ah, mas então tudo que falam na mídia está errado ou é mentira? Não, não é isto que estou afirmando. O que quero passar é que se tenha bom senso, que seja crítico com informações que lhe soaram duvidosas e procure saber mais, preferencialmente procurando o seu Nutricionista ou Médico. Exemplo prático: se aparece na TV que o alimento “Y” previne câncer, significa que é interessante incluí-lo na sua alimentação e não que você deve consumi-lo  no café-da-manhã, no almoço e no jantar.

Uma boa maneira de filtrar a informação e ser crítico é lembrar-se da homeostase, ou seja, equilíbrio. Excessos nunca fizeram bem (e não me refiro somente aos alimentos).

Uma vida saudável significa saber viver buscando o equilíbrio.

balance

 

*Texto de autoria própria. Caso o reproduza por completo ou em partes coloque os créditos e me informe.

Posts relacionados: “O principal investimento na saúde é alimentar-se bem” e “E até o feirante virou nutricionista”

20/05/2013 at 11:57 am Deixe um comentário


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